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Postado em Quinta, 20 Abril 2017 - Escrito por 

Do jardim ao deserto: os biomas como lugar de encontro com Deus

Por Fabrizio Zandonadi Catenassi

A CF 2017 volta nosso olhar para biomas brasileiros. Ao contemplar a diversidade que se vê no Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, no Pantanal e na Amazônia, podemos entender que a natureza é lugar de encontro com Cristo e grande testemunha do amor de Deus pelos homens. Assim como no Brasil, o povo de Israel também se deparou com diferentes biomas ou, no mínimo, com regiões de geografia, fauna e flora bastante diferentes.
No Egito, encontrou-se com uma região bastante árida e também de rios. Terra de desertos. O trabalho perto dos rios, em regiões de lamaçal, era pesado e difícil. Na verdade, é o calor do deserto que marca a estadia de tantos trabalhadores que foram submetidos a trabalhos forçados pelas poderosas dinastias egípcias. Contudo, ali também foi lugar de libertação e salvação. É na aridez de cidades como Ramsés e Pitom que Deus escutou o clamor do seu povo e desceu a fim de libertá-los (Ex 3,7-8). Em outro lugar de escravidão, na Babilônia, com seus canais e jardins suspensos, o povo de Israel chorava por saudades de Sião (Sl 137,1), mas também era consolado pela palavra profética de consolo e ânimo (Is 40,1).
A promessa de libertação de Deus passava por um caminho árido e semiárido, de estepes. Na península do Sinai, em Cades, circulando a terra de Edom, o povo de Israel luta para encontrar água, alimento e Deus, ou seja, o necessário para sobreviver. Ali, devem aprender o que é essencial para o homem, já que o deserto não é lugar de supérfluos. Contudo, também encontram o cuidado de Deus, que garante os oásis, um pouco de pasto para os animais e faz com que alimentar-se ou matar a sede sejam experimentados como ações milagrosas divinas (Ex 16–17; Nm 11).
É também no caminho pelo deserto que Israel aprende a amadurecer. Passa da juventude para a fase adulta da fé. Erra, cai, mas levanta-se e aprende que a maneira mais digna de viver é acolhendo os mandamentos de Deus como sinais que iluminam a vida e conduzem à felicidade. O deserto, geralmente considerado o lugar inóspito, sem vida e sem a presença de Deus, transforma-se no lugar de encontro. Oséias mostra como o povo, prostituído pela idolatria, é levado no deserto pelo próprio Deus, para ali falar-lhe ao coração (Os 2,16).
Jesus nasce em um planalto onde a vida era dura, sem lugar para plantar ou grandes fontes de água, mas exerce seu ministério inicialmente perto do Lago de Genesaré. Sabe que a vida do povo se desenvolve próxima dos rios. Caminhando por Magdala, Cafarnaum, Tiberíades, ensina que Deus está presente junto ao povo. Encarna-se na vida terrena para santifica-la e dar um horizonte mais profundo, o da salvação. Mais que ser pescadores de peixes, Jesus inaugura o tempo de pescar homens. No vale do Jordão, desce para experimentar a grande teofania no Batismo e para mostrar a todos que Deus está no meio de nós!
A terra da promessa, que mana leite e mel, ganha vários tons na história do povo de Deus: o amarelo do deserto, o verde dos jardins, a cor terrosa das montanhas, o azul das águas. Todas as cores que veem os olhos do povo de Deus, ontem e hoje, lembram que o caminho para a salvação passa pelo sofrimento e luta por sobrevivência, mas é sempre coroada com o encontro com Deus, que alimenta a fé e dá força para seguir. A natureza não é só lembrança do Deus que cria, mas testemunha daquilo que Deus é: o Pai de amor, que caminha conosco na história. Por isso mesmo, também nos educa. O mesmo amor do qual a natureza é testemunha deve selar nosso compromisso com a criação, tornando-nos verdadeiros administradores responsáveis das obras das mãos de Deus (Gn 2,15).

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