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Postado em Quinta, 27 Abril 2017 - Escrito por 

JUVENTUDE E CATOLICISMO - O caso da Pastoral Universitária

JUVENTUDE E CATOLICISMO

O caso da pastoral universitária

 

Desejo precisamente que o diálogo entre nós ajude a construir pontes entre todos os homens, de tal modo que cada um possa encontrar no outro, não um inimigo nem um concorrente, mas um irmão que se deve acolher e abraçar”. (Papa Francisco)

 

O fenômeno religioso, mais do que discutido, tem sido vivenciado pela juventude no ambiente universitário, seja na afirmação, através das religiões, seja na negação, por meio do ateísmo e do agnosticismo. Um dos fatores que impulsiona as reflexões acerca do fenômeno religioso nas universidades é a Pastoral Universitária (PU) que, ao tempo que apresenta a religiosidade como parte constituinte da pessoa humana, é presença do catolicismo em meio aos universitários.

Tendo o intuito de melhor compreender a experiência religiosa dos jovens no âmbito universitário, juntamente com os diálogos e posicionamentos diversos adotados por eles perante as questões religiosas, é significativo analisar a relação dos jovens com o catolicismo, que é a maior religião cristã em número de fiéis do mundo e tem sua fé fundamentada no mistério da pessoa de Jesus Cristo, o filho de Deus. Para isso, é interessante partirmos da perspectiva da Pastoral Universitária, uma vez que seu foco está no diálogo da Igreja Católica com os jovens no mundo acadêmico.

A Pastoral Universitária (PU) presta um serviço à comunidade universitária onde, de forma dialogal, pretende contribuir na relação dos jovens com o catolicismo. Também, de modo especial, a PU busca promover o desenvolvimento humano e social dos alunos, professores, funcionários e comunidade, contribuindo para a formação ética e solidária de profissionais competentes, humana e cientificamente.

Compreender o corpo social contemporâneo, nomeado por Baumam (2001) de modernidade líquida, é de fundamental importância para se assimilar a relação entre a juventude e o catolicismo no âmbito universitário. A PU é uma forma da Igreja dialogar com a comunidade universitária, mas deve-se levar em consideração o contexto em que cada indivíduo está inserido. Não basta fazer pastoral de cunho proselitista, é necessário sentar para entender as pessoas, edepois apresentar o projeto de Jesus Cristo.

É preciso fazer um esforço sociológico para anunciar Cristo no ambiente em que as pessoas estão inseridas. A universidade é um lugar de pluralidade, que exige dos agentes de pastoral um empenho para tentar gerar a unidade em meio à diversidade de ideias. Pode-se dizer que a sociologia da religião deve preceder qualquer projeto de evangelização.

A PU pode promover debates de temas da atualidade, como a política e a diversidade, sendo que: deve-se levar em considerações as diversas opiniões, para que haja a promoção do diálogo. Nesses debates, pode haver mediações de agentes da PU, mas isso não pode inibir a participação de todos na discussão. Nessa linha, pode-se tentar o ecumenismo e/ou diálogo inter-religioso, convidando pessoas de diferentes denominações e crenças para conversar sobre determinados temas.

Numa postura de diálogo, a Igreja pode mostrar, por meio da PU, sua opinião e escutar o que outras visões de mundo têm a dizer sobre determinados temas. Nesse caminho, podem ser promovidos simpósios e seminários que debatam, por exemplo, temas da bioética, em que a Igreja tem pesquisas significativas e pode dizer uma palavra sobre. Não basta fazer somente discussões internas, é preciso compartilhar e até confrontar as opiniões, sejam convergentes ou divergentes.

Levando em consideração que os jovens são afligidos por diversas problemáticas sociais, a PU pode promover uma pastoral da escuta, onde as pessoas possam partilhar seus problemas e buscar uma solução. Esse serviço pode ajudar os jovens universitários em decisões importantes, como na permanência ou troca de curso, visto que muitos começam um curso por influência dos pais, e não se sentem realizados no que fazem. Nesse processo, a PU é capaz de contribuir na formação humana das pessoas, tentando iluminar seus caminhos.

A relação entre juventude e catolicismo na universidade, tratando especificamente da PU, dá-se por meio do diálogo: com a vida, com a realidade da sociedade, do indivíduo, com outras denominações cristãs, com outras religiões, etc. Parece que urge no seio dessa relação uma nova metamorfose no trabalho pastoral da PU: sair da pastoral ‘do fazer’ para construir juntos a pastoral ‘do estar’. Com isso, deve-se deixar o método dedutivo proselitista, que considera importante o número de fiéis, e passar para o método indutivo, partindo da realidade de cada pessoa, passando pela vida da comunidade para chegar a um objetivo comum, no caso do catolicismo, a pessoa de Jesus Cristo.

Em suma, a PU é uma forma do catolicismo se fazer presente dentro da universidade, sendo que pode assumir uma postura proselitista e sacramentalista, ou pode chamar a comunidade acadêmica ao diálogo de temas que dizem respeito a todos e que tocam a doutrina cristã. Na primeira alternativa, é possível se ter sucesso estático para alimentar o ego dos líderes religiosos, já na segunda opção, haverá muito trabalho, talvez pouco resultado estático, mas, certamente, as pessoas tomarão consciência de sua responsabilidade para a promoção do bem comum.

 

Uatos Pires Pereira: Especialista em Juventude no mundo contemporâneo pela FAJE; graduando em Teologia na PUC Minas.

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