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Histórico

A decisão da CNBB de criar o Setor Universidades (2007) foi uma resposta à necessidade de ampliar e incrementar a ação evangelizadora e a articulação da Igreja neste campo. Esta ação estava concentrada anteriormente na Pastoral Universitária, um braço da Pastoral da Juventude.

A iniciativa começa a produzir bons frutos, contemplando as diversas realidades e segmentos que compõem ou são atingidas pelo Setor: Bispos e Equipes dos Regionais da CNBB e das (Arqui) Dioceses, Universidades Católicas e Estatais, instituições diversificadas de Ensino Superior, membros integrantes das comunidades acadêmicas (dirigentes, professores, funcionários, alunos), organismos de pastoral nas universidades (paróquias universitárias, capelanías, pastorais), movimentos e grupos de Igreja que atuam no meio universitário, etc.

Ao mesmo tempo, cresce a consciência da identidade do Setor, a partir das ricas experiências de reflexão, de partilha, de organização e de articulação que vão sendo desenvolvidas.

Neste sentido, a presença do(a) assessor(a) e de grupos de consultores, tem-se revelado fundamental, como também a atuação a partir de um Planejamento estratégico.

Missão

Favorecer a integração e o diálogo entre diferentes experiências e iniciativas atuantes nas Instituições de Ensino Superior de todo o Brasil, a fim de criar uma rede de comunhão e unidade comprometida com a mensagem do Evangelho e com o respeito a pluralidade cultural no meio universitário.

Atribuições

- Promover a ação evangelizadora no meio universitário, pela valorização da pessoa e o fortalecimento da vida de comunhão, favorecendo o anúncio de Jesus Cristo e o atendimento pastoral de alunos, professores, funcionários e familiares;

- Articular a revitalização desse aspecto da evangelização e da pastoral, em colaboração com os Regionais e as Dioceses, com as Instituições católicas de ensino superior e com as Congregações religiosas, Institutos e Movimentos eclesiais que atuam no meio universitário;

- Articular iniciativas que fortaleçam a missão autêntica das próprias Instituições de Ensino Superior junto à sociedade e políticas que promovam a inclusão dos jovens no mundo acadêmico;

- Promover a elaboração participativa, a consolidação e os desdobramentos pastorais das linhas gerais da Ação Evangelizadora no Meio Universitário, promovendo a articulação e a comunhão entre os diferentes segmentos que atuam nesse meio;

- Fomentar, em cooperação com o setor específico da Comissão, o diálogo entre Ciência, Fé e Cultura;

- Buscar o resgate da experiência histórica da presença profética e pastoral da Igreja nesse meio.

Objetivos

- atuar como um canal de comunicação e intercâmbio de experiências que articula, incentiva e promove várias ações, já existentes, de evangelização nas Instituições de Ensino Superior de todo o Brasil

- acolher as novas iniciativas e promover o diálogo , unindo e somando experiências.

- estabelecer contato permanente com as forças vivas que atuam nos ambientes universitários, favorecendo a integração e o diálogo, tendo em vista que é somente na comunhão e na unidade que a mensagem do Evangelho pode alcançar verdadeiramente a vida e a realidade de cada pessoa.

- caminhar junto às IES criando uma rede de comunicação, fomentando, respeitando e reconhecendo as diferentes experiências, bem como valorizando a pluralidade cultural e as idiossincrasias de cada região do país e as particularidades de cada IES, especificamente.

Breve percurso histórico

Entre 1964 e 1968, depois de uma série de acontecimentos que acabaram com a JUC, a Igreja não trabalhou mais com a Pastoral Universitária a não ser por meio das Instituições de Ensino Superior Católicas. No vazio que se criou, dentro de um contexto de forte repressão política, surgiram movimentos de jovens (muitas vezes de e com universitários), orientados para a problemática da juventude, numa perspectiva mais individualista e intimista, buscando contornar a questão político-social. Entre estes movimentos, estavam, por exemplo, o TLC (Treinamento de Liderança Cristã) e o CVC (Comunidade de Vida Cristã). 

A partir de 1973 algumas Igrejas locais começam a organizar centros de Pastoral Universitária, com grupos de jovens universitários, geralmente na linha da teologia da libertação (opção pelos mais pobres), com o desenvolvimento do senso crítico e dentro de uma pastoral transformadora. As dificuldades políticas não permitiam que este trabalho fosse muito reconhecido, mas pelo menos duas arquidioceses contavam com trabalhos articulados e reconhecidos pela Igreja local: São Paulo, com as Comunidades Universitárias de Base, que propositalmente assumiam um nome semelhante ao das Comunidades Eclesiais de Base e Recife.


Na segunda metade da década de 70, na onda do Movimento Estudantil, multiplicaram-se os grupos de Pastoral Universitária, que nasciam espontaneamente engajados no movimento estudantil, sem vínculos ou com vínculos precários com a Igreja institucional. Em 1979, num encontro nacional clandestino, numa casa de veraneio no litoral capixaba, iniciou-se a articulação da Pastoral Universitária em nível nacional. Organizou-se em cinco regiões, com coordenadores regionais e uma coordenação nacional constituída por cinco membros, um secretario e um assessor. Pela sua forte conotação política não foi muitas vezes compreendida pelas Igrejas locais e a Conferencia Nacional dos Bispos (CNBB) do Brasil que se dedicou a observar, nomeando um assessor que acompanhasse a movimentação que nascia.


Houve vários encontros nacionais, nos quais se procurou esclarecer qual era a natureza da Pastoral Universitária. Duas questões importantes dividiam os vários grupos existentes: (1) a identidade eclesial e (2) o vínculo com a hierarquia católica. Para alguns grupos, a urgência do combate à ditadura justificava uma ação onde os aspectos mais característicos de uma experiência eclesial poderiam ser, ao menos temporariamente, deixados em segundo plano. Para outros, os gestos típicos da vivência eclesial (como os sacramentos e oração) e uma postura cultural própria da experiência católica eram essenciais. Além disso, nas dioceses onde o apoio dos bispos tinha sido decisivo para o fortalecimento e até a proteção dos primeiros grupos, era muito claro a importância do vínculo eclesial. Já onde os grupos haviam se formado à revelia da hierarquia, havia uma forte tendência à defesa da autonomia dos grupos de universitários católicos em relação à hierarquia.


O 4º Encontro Nacional, em São Paulo, em 1984, foi importante porque se desenvolveu um conceito de Pastoral Universitária Pluralista, dentro da qual podiam coexistir as diferentes expressões ou iniciativas. Naquele momento, três tendências haviam se formado entre os grupos de universitários. Uma tendência, ligada ao movimento internacional JECI-MIEC, defendia a vinculação conceitual à teologia da libertação, e a formação de um movimento relativamente independente da hierarquia eclesiástica, formando o Movimento Cristão de Universitários (MCU). Uma segunda tendência, representada pelas Comunidades Universitárias de Base (CUBs), de São Paulo, se vinculou principalmente ao magistério de João Paulo II, acabando por incorporar-se ao movimento internacional Comunhão e Libertação (CL). A terceira tendência, representada por vários grupos menores, tendia a manter os vínculos com a hierarquia local, por meio de assessores nomeados pelos bispos, e ter uma formação doutrinal mais eclética, dependente das opções pastorais e eclesiais assumidas pelas dioceses., Na Carta de Betânia (Documento Conclusivo do Encontro de 1987, em Campinas), e define a pastoral nas universidades católicas e se aceita a possibilidade de que existam grupos de jovens que se articulam independentemente e não necessariamente ao serviço da pastoral da Universidade.


A segunda metade da década de 1980 viu a gradativa desestruturação da maioria destas experiências. O MCU pouco a pouco desapareceu, as CUBs se tornaram Comunhão e Libertação, deixando de ter seu foco centrado na questão universitária, e os grupos menores – sem uma articulação que lhes desse apoio e consistência – também deixaram de existir. Mais tarde, a Renovação Carismática criou os seus Grupos de Oração universitários (GOU) e o Projeto Universidades Renovadas (PUR), que se tornaram, por muitos anos, a única ação específica de constituição de grupos de universitários católicos em nível nacional.


Durante estes anos, cunharam-se os termos de Pastoral Universitária (PU), para identificar as iniciativas que se dedicavam à organização de grupos de jovens universitários; e Pastoral da Universidade (PdU) à pastoral que era desenvolvida nas Universidades Católica, serviço que oferece a Instituição pela sua própria identidade de católica.


Vários movimentos se dedicaram, nestes anos, ao trabalho com universitários, como os Focolare, o Caminho Neocatecumenal, Comunhão e Libertação e as novas comunidades oriundas da Renovação Carismática, como a Shalom. Contudo, não têm o foco na problemática universitária que caracterizava os grupos anteriores. Ao mesmo tempo, para uma compreensão rigorosa da realidade, deve-se observar que estes movimentos não repetem a trajetória dos movimentos de jovens do período da ditadura, pois quase todos procuraram – com maior ou menor êxito – desenvolver uma reflexão sociopolítica e uma presença transformadora nos ambientes. Contudo, o ambiente pluralista de um país democrático, num horizonte cultural pós-moderno, não permitia mais os alinhamentos políticos e ideológicos fáceis que haviam fascinados os grupos de pastoral Universitária na década precedente.


Quando em 2007, a CNBB buscou retomar a caminhada da ação evangelizadora da igreja no meio universitário, confiada a Dom Eduardo Benes, criou-se o Setor Universidades. Percebe-se como em 1984 (em outro contexto social e político) que esta ação evangelizadora no meio universitário acontece por meio de várias experiências diferentes. Existem os movimentos e as novas comunidades presentes no meio universitário, as paróquias universitárias, e as pastorais nas Universidades Católicas e iniciativas diocesanas com universitários. Com todos eles o Setor Universidades retoma o caminho de dialogo, articulação e organização para reavivar esta presença.


O Setor Universidades nasceu para ser um espaço abrangente e plural, de dialogo, comunicação e incentivador desta presença da Igreja no meio universitário. Atualmente abriu o espaço para a juventude, sendo ocupado por eles, exercendo o protagonismo que lhes caracterizou e apreendendo com eles a viver este novo tempo.

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